Centros de Apoio ao Produtor ajudam a garantir o futuro do café em cada fazenda


A jornada de um grão de café, da fazenda à xícara, é árdua. Geralmente, começa no alto das colinas do Cinturão do Café, uma faixa que envolve o meio da Terra entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio. Balde após balde, os grãos são colhidos manualmente e processados antes de rodarem por estradas sinuosas, até chegarem aos navios de carga com destino a torrefações e cafeterias em todo o mundo.

Desde que a primeira loja foi aberta, em 1971, os compradores da Starbucks viajam até a fonte para obter os melhores grãos. Eles foram até fazendas distantes na América Latina, Ásia e África Oriental, tendo a oportunidade de conhecer os produtores e suas comunidades durante o processo.  

Quando a Starbucks lançou, em 2024, suas Práticas C.A.F.E. (em inglês Coffee and Farmer Equity), para o fornecimento sustentável, a empresa sabia que aproveitar essas relações pessoais seria fundamental para o sucesso do programa. Ela abriu seu primeiro Centro de Apoio ao Produtor naquele mesmo ano em San José, na Costa Rica, e contratou uma equipe de agrônomos para trazer os agricultores para o programa.

Carlos Mario Rodriguez, diretor e chefe global de pesquisa e desenvolvimento de café da Starbucks, fez parte da primeira equipe de agronomia do Centro de Apoio ao Produtor. Ele dirigiu sua picape por incontáveis quilômetros de estradas estreitas para visitar fazendeiros e ajudá-los com uma série de questões relacionadas à sustentabilidade e, assim, garantir um suprimento de café de qualidade a longo prazo. Ele os ajudou a montar seus próprios talhões de teste, mostrou como espaçar as árvores corretamente e levou sugestões para controlar a erosão e reduzir o uso de pesticidas. 

“Acho muito importante que os clientes saibam como é difícil produzir café de alta qualidade”, disse ele. “É fundamental apoiarmos os produtores.”

Proprietário da fazenda Café Las Peñas, em Sabanilla (Costa Rica), William Chacon trabalha com agrônomos da Starbucks há mais de 10 anos, mesmo quando sua fazenda ainda não fornecia para a Starbucks.

“São muitos os problemas relacionados ao desmatamento, o café é atingido por doenças e a qualidade também é prejudicada”, disse Chacon. “Com a ajuda da Starbucks, estamos produzindo novas variedades de café. A qualidade é boa porque as folhas e as plantas crescem saudáveis”.

Plantando sementes

No primeiro ano de operação do Centro de Apoio ao Produtor, 19,7 mil toneladas de café verde (não torrado) foram comprados de fornecedores aprovados pelas Práticas C.A.F.E., representando 14,5% do total comercializado. Nos 15 anos que se seguiram, as compras no âmbito do programa continuaram a crescer e a Starbucks expandiu sua rede global de apoio aos produtores. Uma unidade satélite na Cidade da Guatemala foi inaugurada em 2006, seguida por Ruanda em 2009, Tanzânia em 2011 e Colômbia em 2012. Campo a campo, fazenda a fazenda, esta nova abordagem de fornecimento sustentável foi se enraizando.

Em 2012, a Starbucks abriu seu sexto Centro de Apoio ao Produtor e o primeiro na Ásia, em Yunnan, região chinesa de Pu’er. Alan Tong foi o primeiro agrônomo do  Centro de Apoio ao Produtor na China, que começou com apenas 25 cafeicultores.

“Eu acredito que um dia a Starbucks será a referência para o café de Yunnan”, disse ele.

Desde então, ele e sua equipe capacitaram quase 10 mil agricultores na China em práticas agrícolas sustentáveis e 1.200 fazendas agora são verificadas por meio das Práticas C.A.F.E. Eles também estão aplicando recursos para criar caminhos para tirar as comunidades de cafeicultores da região da pobreza.

Completando o ciclo

Depois de abrir mais dois Centros de Apoio ao Produtor na Etiópia (2014) e na Indonésia (2015), o Centro de Apoio ao Prdutor mais antigo da Starbucks também se tornou o mais novo. Em 2016, o centro de agronomia de San José mudou de seu prédio de escritórios, até então no centro da cidade, para uma fazenda a 24 quilômetros dali, em uma estrada na montanha ao pé do vulcão Poàs. Com 600 acres e um centro de visitantes, a Hacienda Alsacia é atualmente o centro de pesquisa e desenvolvimento agronômico global da Starbucks.

Victor Trejos, o gerente da fazenda Hacienda Alsacia, a fazenda de café da Starbuck na Costa Rica. Luanne Dietz

“Eu consigo mostrar [aos agricultores] como temos feito as coisas”, disse Victor Trejos, gerente geral da Hacienda Alsacia. “Como temos plantado, como fertilizamos, testes de solo … e como eles podem fazer o mesmo”.

A fazenda possui 14 hectares dedicados à pesquisa. É um campo de testes para ampliar os limites da pesquisa agronômica para produzir árvores resistentes à ferrugem do café, ou roya, que está devastando as plantações de café na América Latina. A equipe também analisa o solo, aprimora as técnicas de poda e apoia os produtores de outras maneiras, a fim de aumentar a qualidade e a produtividade dos seus pés de café. Suas descobertas não são sigilosas, elas são compartilhadas gratuitamente com pesquisadores e produtores em todos os lugares.

Em agosto de 2021, a Starbucks inaugurou seu décimo Centro de Apoio ao Produtor no Brasil. Até o momento, a Starbucks treinou mais de 200.000 produtores, oferecendo acesso gratuito à educação e recursos, por meio de seus Centros de Apoio ao Produtor. Sua aspiração é fazer do café o primeiro produto agrícola de origem sustentável do mundo.

Mas, para Rodriguez, a melhor forma de acompanhar essa realização é em cada uma das fazendas, com cada produtor.

“Para mim, como profissional, como partner, a melhor parte é realmente quando você começa a trabalhar com um determinado produtor e vê que ele está melhorando suas condições de vida e conseguindo continuar cultivando o café como um bom negócio”, disse ele. “Isso é o melhor. É realmente algo que nos motiva”.

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Panetone Starbucks: sabor em forma de presente